Vídeo Índio Brasil repudia fechamento de rádios em aldeias

publicado em 04/08 às 21h36

Durante o Seminário "A imagem dos povos indígenas no século 21", nesta terça-feira (dia 3 de agosto), o índio Terena e membro do Conselho da Educação Escola Indígena da Aldeia Cachoeirinha, Élcio Albuquerque, relatou aos presentes o fechamento da rádio em sua comunidade e apreensão dos equipamentos em um ato truculento da Polícia Federal. A aldeia Cachoeirinha está localizada a 14 quilômetros do município de Miranda (MS). "Chegaram com 12 camburões e até um helicóptero. Tudo para intimidar a comunidade. Fecharam a rádio e levaram todos os equipamentos. Ninguém entendeu nada na hora, mas ficamos com muito medo por conta da presença de tantos policiais na aldeia", relatou o índigena durante o bate-papo com o jornalista Beto Almeida, da TeleSur (DF), que ministrava no seminário palestra sobre "A televisão brasileira e o espaço para a difusão de conteúdos audiovisuais indígenas".

A Aldeia Cachoeirinha tem uma população de 5 mil indígenas Terena. O fechamento da rádio aconteceu em 2008 e até hoje as lideranças locais tentam resgatar os equipamentos. "Não existem justificativas. A rádio faz muita falta para toda a comunidade porque era um instrumento de comunicação para nós, de divulgação da nossa cultura e até de educação já que a programação era transmitida no idioma Terena", citou.

Para Nilson Rodrigues, diretor geral do Vídeo Índio Brasil 2010 e mediador do debate de hoje com o jornalista da TeleSur, "tanto a Polícia Federal, quanto a Anatel, não podem enxergar a rádio apenas como instrumento comercial, mas precisam reconhecer a importância desse meio de comunicação nas aldeias indígenas. O Vídeo Índio Brasil, projeto que estimula a difusão do audiovisual e da inserção da pauta indígena na mídia, considera gravíssimo o fato ocorrido", frisou.

O convidado do seminário, Beto Almeida, informou que a fechamento de rádios comunitárias é fato comum."É um escândalo, uma injustiça cometida contra esses povos que tanto necessitam de um meio de comunicação como as rádios nas comunidades. Esse tipo de atitude, inclusive, é algo que prejudica a divulgação de conteúdos entre os próprios indígenas", pontuou Almeida, que já exerceu o cargo de diretor da Federação Nacional do Jornalistas (FENAJ) e do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.

Fonte: MS NOTÍCIAS