Estudantes escondem rádio pirata para fugir de batida

publicado em 16/09 às 22h18

Um grupo formado por pelo menos cinco estudantes universitários teriam escondido um aparelho transmissor de uma rádio clandestina para 'fugir' de uma suposta batida da Policia Federal no campus da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) no final da manhã de hoje. A sede da Policia Federal em Campinas não confirmou a fiscalização na universidade, mas informou que realiza este tipo de procedimento quando é solicitada pela Anatel. Por sua vez, a Anatel relatou que chegou a receber uma denúncia da existência de uma rádio pirata no campus da Unicamp.

Segundo relatos dos estudantes houve apenas a tentativa de se fechar a rádio. Pouco antes do meio dia, um carro preto com vidros escuros estacionou em frente a Biblioteca Central e três homens se dirigiram a praça onde está uma torre de caixa d'água. No local, em um espaço acanhado de cerca de 2 metros quadrados, onde fica o pilar da base de sustentação da edificação, funciona uma rádio operada por estudantes. Os aparelhos foram adquiridos de colecionadores e são antigos. Uma pequena antena, na ponta da torre, não consegue ser vista, sem algum esforço.

"Eles entraram e nós pegamos os equipamentos e depois saímos correndo", contou o calouro do curso de letras Júlio Cesar, que preferiu não dar seu nome completo. Em poucos minutos formou-se uma aglomeração de alunos cercando os "homens de óculos escuros", contou.

"Falaram que eram da Policia Federal, mas não mostraram mandado e nem os seus documentos de identificação. Vasculharam a área e foram embora", contou o coordenador do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Unicamp, André Guerrero, 25 anos, aluno do curso de química.

"A gente acha legítimo e defende uma rádio livre sem as amarras dos grandes monopólios dos meios de comunicação", comentou o coordenador do DCE. "A rádio dentro da universidade, inclusive, é um direito", afirmou. Questionada, a assessoria da Unicamp não se manifestou sobre a presença de policiais federais na universidade.

Fonte: DIARIO DO GRANDE ABC